13.4.08


Transformações


No comboio descendente

Vinha tudo à gargalhada.

Uns por verem rir os outros

E outros sem ser por nada

No comboio descendente

De Queluz à Cruz Quebrada...


No comboio descendente

Vinham todos à janela

Uns calados para os outros

E outros a dar-lhes trela

No comboio descendente

De Cruz Quebrada a Palmela...


No comboio descendente
Mas que grande reinação!

Uns dormindo, outros com sono,

E outros nem sim nem não

No comboio descendente

De Palmela a Portimão

Fernando Pessoa


Faz um poema semelhante ao de F. Pessoa, mudando o meio de transporte, os nomes dos lugares, os comportamentos dos passageiros, como nestes exemplos:

No avião descendente
Mas que rica brincadeira!
Uns a andar no corredor
Os outros presos à cadeira -
No avião descendente
De Lisboa à Terceira.


No autocarro descendente
Vinham todos numa boa,
Uns cantavam desafinado
E outros riam à toa -
No autocarro descendente
Do Porto a Foz Côa.